Com tantas produções acontecendo simultaneamente é difícil tirar um tempo para respirar, renovar os ares e se inspirar. Mas com o FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) acontecendo nas ruas de São Paulo foi impossível a gente não sair da produtora e dar uma espiada nas novidades. Quem nos acompanhou nesse passeio foi o Edson Soares (a.k.a Júnior), Gerente de Projetos Web na Mixer e novidadeiro confesso.

O FILE vai até 21 de agosto e rola em vários lugares simultaneamente. O destaque é a Av. Paulista, que concentra em 14 pontos diferentes trabalhos realizados com ferramentas eletrônicas e digitais, como instalações interativas, jogos e animações. O principal é o prédio da Fiesp (Avenida Paulista, 1313), com dois andares dedicados às principais obras.

Começamos nosso tour pelas instalações. O primeiro trabalho, de Joon Y.Moon (Coréia do Sul) chama-se “Augmented Shadow” e leva o efeito da distorção para o reino da fantasia através de sombras que se alteram conforme você mexe em cubos de acrílico. “É uma React Table. Há uns dois anos o FILE trouxe outra que além de luz emitia sons, a mesma usada na última turnê da Bjork”.

Para quem ama cinema, dois trabalhos chamaram a atenção. O primeiro deles, “Movie Mirros” de Ali Miharbi (Estados Unidos), consiste em uma câmera que “lê” a imagem do seu rosto e a transforma em personagens de filmes. Já “Algorithmic Search for Love” de Julian Palacz (Áustria) é uma divertida e inteligente brincadeira que mistura Google e cinema. O espectador digita uma frase em um campo de busca e aparece automaticamente em uma tela trechos de diversos filmes que usaram aquela frase, formando um grande clipe. “Sem dúvida a obra mais divertida. Simples, com o approach tech universal dos buscadores e ao mesmo tempo nostálgica, graças as cenas old-school mescladas no clipe. Adoraria ter algo assim em casa, ou em uma festa. É como uma jukebox de remixes de cenas do cinema”.

As animações e os documentários foram os trabalhos que mais chamaram a atenção do Júnior. “Não tem muita interação, mas tem histórias bem contadas. Adoro Daft Punk, então gostei de ver o mini doc sobre a trajetória do duo francês. Para quem curte subculturas urbanas, o doc Global Shuffle é bem legal, mostra a cena de street dance em Melbourne com bastante cenas de arquivo. E o esclarecedor Project 798, que retrata a produção de arte contemporânea na China e sua importância política”. O FILE também tem uma área para obras em games e em tablets.

Um dos trabalhos mais disputados era o “Nemo Observatorium 02002” de Lawrence Malstaf (Bélgica) que transmite ao visitante a sensação de se estar dentro de um tornado. Outra trabalho bastante interessante e que consiste em uma experiência solitária do espectador é o “Elucidating Feedback” de Ben Jack (Nova Zelândia), que afirma ser uma instalação controlada pelo poder da mente. Um sensor capta o seu nível de atenção diante de uma tela. Quanto mais atento, mais padrões se formam. Quanto menos atento, mais distorcidas ficam as imagens. “Não sei se tenho total controle da minha mente, mas sai sem ter certeza se o sistema realmente funcionava”.

“No geral é bem legal a preocupação com o posicionamento do espectador nas obras. Mas acho que as vezes isso anula a reflexão sobre os questionamentos e sensações de seus criadores. Ficamos tão focados em interagir, quase como em um parque de diversões, que não pensamos sobre o que a mente do criador projetou em sua obra. Talvez por isso as peças que mais me emocionem sejam as que possuem algum detalhe mais analógico e nostálgico. Uma tecnologia menos science fiction e mais artesanal.”
Depois de boas horas dentro do prédio da Fiesp aproveitamos para dar um rolê pelas outras obras da Paulista. Apesar do contêiner da Alameda das Flores (Sunset Paulista) ainda não estar pronto, vivemos a experiência de assistir a uma animação no vão livre do MASP e também fomos até o Conjunto Nacional que abriga a obra “Invente um sorriso”.
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